Dia da Consciência Negra
Dia da Consciência Negra
“País precisa criar uma educação antirracista”
Chapecó (20.11.2023) – Hoje, 20 de novembro, é Dia da Consciência Negra. A data foi criada para homenagear Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, morto em 1695. É usada para intensificar a resistência e refletir sobre o valor e a contribuição da comunidade negra para o Brasil. “Deveria ser ainda uma data de festividades”, entende a presidente do SITICOM Chapecó, Izelda Teresinha Oro. Porém, “não há o que comemorar”, lamenta. Rememora que as desigualdades e a discriminação “são indefinidamente mantidas, especialmente no mercado de trabalho”.
Apesar das mudanças ocorridas na atividade econômica, a desigualdade racial é reproduzida “praticamente em todos os espaços e setores trabalhista”, condena a dirigente sindical. Mostra que tanto o ingresso como as possibilidades de promoção no mercado de trabalho, “geralmente são restritas e desiguais para a população negra e parda”. Izelda acumula mais indignação porque as mulheres negras “são vítimas das desigualdades sociais, tanto de raça como de gênero”.
Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário, “é preciso abdicar o racismo, as desigualdades e a discriminação”. Tem convicção que “somente assim, se fará justiça”. Chama atenção para as estatísticas que evidenciam a importância da mulher negra no contexto produtivo e econômico, sem o devido reconhecimento. Mesmo representando 56% do conjunto em idade de trabalhar, a população negra ocupa tão somente 33% dos cargos mais elevados. Além disso, quando inserido no mercado o negro normalmente ocupa postos desfavoráveis em relação ao não negro.
Vida humilhante – Os números “são distantes e inaceitáveis”, critica Izelda, para citar que somente um em cada 48 trabalhadores negros exerce função de gerencia. No entanto, num cenário de não negros, a proporção é de um para apenas 18 trabalhadores. Ainda, os negros ganham quase 40% a menos que os não negros. São situações de desigualdades que impressionam a dirigente sindical pela qualificação “extremamente negativa e inconcebíveis”.
A presidente do SITICOM Chapecó grita por urgentes mudanças “de posturas, condutas e atitudes” da sociedade para criar “uma educação antirracista na nação”. Acredita ser esta a formula adequada para promover “igualdade e respeito”. O modelo possibilita desmistificar a “degradante vida” dos povos negros do País, particularmente no mercado de trabalho.
